terça-feira, 18 de outubro de 2011

Professor diz que Enem pode prejudicar
ensino de literatura


Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com base nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 1998 a 2010 apontou que poesias e letras de canções aparecem em 42% das questões de literatura. Romances estão presentes em cerca de 12% das perguntas, e contos em apenas 3%. Enquanto isso, histórias em quadrinhos ocupam 19% do teste. Para o professor de literatura brasileira da universidade, Luís Augusto Fischer, os resultados são "assustadores e podem prejudicar o ensino nas escolas".
O pesquisador afirma que a prova foca na vertente da linguagem, e não da cultura. "O Enem prestigia mais a literatura enquanto leitura do que a literatura enquanto aprendizagem cultural", afirma. Fischer explica que a primeira vertente - que é a mais utilizada no teste - é mais simples, pois implica somente na leitura direta de um texto, seja ele letra de música, quadrinhos ou um conto. Um exemplo de questão é pedir para o candidato analisar um romance e afirmar se o discurso utilizado é direto ou indireto, por exemplo.
De acordo com Fischer, pensar a literatura como cultura exige mais complexidade, uma vez que um texto será analisado pelo conhecimento da sua história, enredo e características do autor. "As duas são imprescindíveis, mas a prova foca somente em uma. Com esse privilégio à leitura, se perde muita coisa do vasto patrimônio cultural letrado que já existe e ao qual todos devem ter acesso na escola", defende.
O estudo mostra que há, por ano, uma média de 13% de questões que mencionam textos literários e semiliterários. Além disso, a frequência de autores foi considerada baixa ao se avaliar todos os testes, de 1998 a 2010 (inclusive a prova de 2009 que vazou). Carlos Drummond de Andrade apareceu 19 vezes; em segundo lugar, vêm Machado de Assim e Manuel Bandeira, com sete citações. Nenhum outro autor aparece mais de cinco vezes. Graciliano Ramos e João Cabral aparecem três vezes cada, menos do que Jim Davis, do Garfield, e Bob Thaves, da tira Frank e Ernest, com quatro referências cada.
"Acredito no sistema do Enem de desprezar a decoreba de certos vestibulares, mas o caso é que a prova trata o texto literário como um texto qualquer. Um poema de Drummond, por exemplo, é colocado no mesmo nível de uma tira em quadrinhos", afirma o professor.
Na visão de Fischer, o fato pode prejudicar o ensino literário na escola, uma vez que o ensino médio se molda à demanda do processo seletivo de ingresso às universidades. "Na escola brasileira, a literatura tem sido porta de acesso não apenas a livros, mas também a outras artes. Sem isso, me parece que vamos perder esse acesso, além de perdermos parte importante, talvez fundamental, da formação cultural dos alunos nesses campos", completa.
'É melhor ler com autonomia o Garfield do que decorar clássicos', diz educador
Apesar de concordar que o Enem precisa evoluir, o professor de literatura do cursinho Universitário, de Porto Alegre (RS), Edir Alonso defende o uso que a prova faz de textos mais populares. "O modelo de avaliação tradicional, com base na leitura dos clássicos, acaba por enfrentar uma dura realidade: está distante da vida do jovem leitor médio", diz.
Alonso afirma que isso não significa que a academia deva se conformar apenas com a leitura de tirinhas e canções populares, mas ressalta que não se pode negar que elas são uma forma legítima de aproximar a prova do universo cultural da maioria dos candidatos. "A imposição de um rol de leituras obrigatórias que contemple Os Lusíadas ou O Uraguai mostra uma universidade incapaz de dialogar com o jovem leitor. Nesse sentido, presta um desserviço à formação cultural do vestibulando, o qual passa a associar o fenômeno literário a algo enfadonho, distante", completa, dizendo que é melhor ler com autonomia o Garfield do que apenas decorar clássicos para o teste.
"Acho que a prova do Enem precisa evoluir. Pode e deve ampliar o espaço dedicado à leitura e compreensão do texto literário na prova. Mas ainda assim, me parece ser uma proposta avaliativa mais interessante", fala.
Outro defensor da avaliação do exame nacional é Manoel Neves, especialista em Letras de Belo Horizonte (MG) que desenvolve pesquisa para cursos pré-vestibulares em língua portuguesa e literatura. Contudo, Neves discorda do uso de tiras e quadrinhos no teste, mas considera a prova muito bem elaborada. "Ela contempla tanto elementos da teoria quanto da história. Para responder às questões, é preciso ter noções desses dois campos", diz.
Como exemplo, o professor analisa o Enem de 2009. "Naquele ano, apareceram questões que contemplavam conhecimentos específicos de Teoria Literária, como a noção de espaço narrativo na questão envolvendo os textos de Dalton Trevisan e Jorge Amado", explica.
Neves também cita uma pergunta sobre o soneto de Álvares de Azevedo que abordava especificamente os conhecimentos acerca do tratamento dado por esse poeta à desilusão amorosa. "Sem a leitura do poema e o conhecimento de como a decepção amorosa é tratada no Romantismo e nos textos do autor da Lira dos vinte anos, seria impossível resolver a questões", diz.
"O Enem cobra uma compreensão aprofundada dos aspectos técnicos, históricos e temáticos da literatura brasileira. O que a prova demanda dos alunos é a capacidade de perceber tais elementos, explica, completando que não se trata de ler um livro e decorar os elementos históricos, temáticos e formais, mas de conferir a capacidade que o aluno tem de perceber esses elementos em qualquer texto.

Posição do Inep

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou, por meio de sua assessoria, que "a prova do Enem não valoriza, em suas questões de literatura, a memorização de características ou periodização descontextualizada". De acordo com o órgão, o objetivo da prova é avaliar a habilidade do candidato em estabelecer relações entre o texto literário e os contextos histórico, social e político; em relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário; e em reconhecer a presença de valores sociais e humanos no patrimônio literário nacional.

Fonte:
http://noticias.terra.com.br/educacao/enem/noticias, acessado em 18/10/2011.





quinta-feira, 29 de setembro de 2011

1ª ATIVIDADE - PRECONCEITO LINGUÍSTICO NO BRASIL

Lançado pela primeira vez em 1999, o livro Preconceito Linguístico, escrito por Marcos Bagno, linguista e professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília (UnB), é uma obra que continua até hoje sendo referência na discussão sobre a variedade linguística do português e o preconceito sofrido pelos falantes da norma popular. Nesta obra, Bagno fala sobre o caráter heterogêneo das línguas vivas e defende uma educação linguística voltada para a inclusão social e reconhecimento e valorização da diversidade cultural brasileira.
Você já pensou na língua como instrumento de dominação social?
Falar e escrever corretamente em nosso país é um dos principais cartões de visita para a ascensão social de um indivíduo em nossa sociedade.
Neste quadro onde ficam as pessoas que tiveram pouco ou nenhum acesso à educação?
O estudo da pronúncia e escrita correta das palavras faz parte do currículo escolar, no entanto cabe também à escola o papel de apresentar aos alunos as variantes lingüísticas e destacar que na comunicação todas as formas são válidas.
Dentro do estudo da fonologia, os alunos do 3º ano irão pesquisar sobre o significado da ortoépia, metafonia e prosódia e receberam o primeiro desafio do blog:

Fotografar uma placa, anúncio, cartaz ou similar que contenha um erro ortográfico.

Os alunos terão até o dia 19/10/2011 para fazer a postagem da imagem que será primeiramente analisada e depois postada.


Bom trabalho!



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Projeto Conecta Escola – Linguagem da Internet

Estamos envolvidos no projeto para melhorar o desempenho dos 3ºs anos do ensino médio do período noturno, considerando que esta etapa final de ensino está diretamente ligada as avaliações externas (SAEB, ENEM e processos seletivos em geral), escolhemos as turmas A e B para participar do Projeto Conecta Escola, proposto pelo Núcleo de Tecnologias de Educação – NTE de Campo Grande, implementado através das Salas de Tecnologias Educacionais da escola.
Nas disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura os alunos em duplas deverão criar blogs, que funcionarão como cadernos digitais para a postagem dos conteúdos que serão ministrados nestas disciplinas. Na aula inaugural no dia 21 de setembro, os alunos aprenderam sobre: O que é um blog? E foram orientados para os passos iniciais para criar um blog.
O grande desafio ficou por conta da escolha dos nomes dos blogs, a proposta previa que o nome deveria envolver educação e tecnologias, no entanto muitos alunos optaram em fazer menção às obras literárias, unindo nome de livros da literatura brasileira com o nome da escola, esta intervenção espontânea dos alunos demonstrou mais uma vez a interatividade e flexibilidade que todo projeto deve ter.
Nosso objetivo é dar visibilidade as produções que na maioria das vezes fica restrita aos ambientes escolares, para tanto contaremos com a rede mundial de computadores com a divulgação de textos produzidos pelos próprios alunos. Aquele texto que o aluno tem certeza que somente o professor lerá e às vezes nem tanta certeza assim... agora está publicado na internet, qualquer pessoa poderá acessar, ler, refletir e até mesmo interagir.
Agora é esperar para ver! Acreditamos que os alunos irão se dedicar e realizar um ótimo trabalho, associando o uso inteligente dos mecanismos das Tecnologias de Comunicação e Informação com o conteúdo trabalhado em sala de aula.
Profª. Thaís Barbosa

DIA ESTADUAL DE COMBATE AO BULLYING



Com o tema: "Bullying na nossa escola não cola!, no último dia 15 realizamos atividades voltadas a conscientização e combate ao bullying.

Os alunos do 2º ano do ensino médio, turmas A e B, apresentaram uma arrojada coreografia da música "Born this way" da cantora Lady Gaga, lembrando que a tradução da música fala sobre autoestima e aceitação, trazendo uma mensagem positiva de amor próprio.

Os alunos do 3º ano do ensino médio, turma A, apresentaram a peça "A justiça acerta as contas com o valentão", inspirada na obra O Ateneu de Raul Pompéia.

As personagens da peça, homônimas das personagens do livro, participaram de um julgamento, onde o jovem Sérgio é acusado de praticar bullying na Escola Estadual "O Ateneu", uma a uma as vítimas do bully (valentão em inglês) são chamadas ao palco, representando grupos que normalmente são vítimas de discriminação e violência e a partir de seus depoimentos emocionantes e ao mesmo tempo divertidos, os espectadores puderam construir o perfil psicológico do agressor.

Para finalizar a defesa do acusado apresentou suas testemunhas, que foram: a mãe de Sérgio, Dona Emma, uma mulher omissa que protege o filho, fingindo não ver seus problemas de comportamento; a diretora da escola que prefere ignorar as crises de relacionamento entre os alunos e proteger Sérgio, acreditando que ele é vítima de inveja e finalmente o pai, Sr. Sérgio, um homem violento, agressivo, preconceituoso que não vê nada de errado em agredir verbalmente e fisicamente as pessoas.

Os alunos se empenharam muito e fizeram uma ótima apresentação, a platéia ficou em silêncio aguardando a leitura do veredito, vale ressaltar que as penalidades que foram aplicadas ao jovem Sérgio, foram baseadas nas propostas de intervenções apresentadas pelos alunos nas produções textuais sobre o tema.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ÉDIPO REI

Nesta última sexta-feira os alunos do 1º ano turma A, apresentaram a peça Édipo Rei para os colegas do ensino médio e educação de jovens e adultos.

A apresentação foi o resultado de muito ensaio e dedicação do alunos que se empenharam para fazer uma excelente apresentação.


A peça Édipo Rei sempre provoca reflexão sobre o destino e nossa incapacidade de controlá-lo, o autor Sófocles, escreveu uma tragédia ambientada em Tebas, Édipo é o rei desta cidade e Jocasta, sua esposa e rainha, as outras personagens são o cunhado de Édipo, Creonte (irmão de Jocasta), o advinho Tirésias (que é um velho cego), o sacerdote (que fala em nome do povo) e o emissário.

Édipo é o herói trágico. Ele não tem culpa de nada (é vítima do destino) e se sacrifica pelo seu povo. A tragédia se abate também sobre Jocasta, que se pôs contra o destino. Jocasta se suicida (enforcando-se).

O que gera a tragédia é a revelação que Édipo era filho de Jocasta com seu primeiro esposo Laio, antigo rei de Tebas, para compor o drama Édipo revela que por engano assassinou Laio, quando estava fugindo de sua terra natal Corinto. As revelações surgem através de diálogos tensos e envolventes que prendem a atenção do público.


Parabéns para os alunos participantes: Victor (Édipo), Mirielly (Jocasta), Felipe (Creonte), Carlos (Corifeu), Heverton (Tirésias), Joyce (Narradora/Coro) Ana Claúdia (Mensageira), Fernanda (Serva de Corinto), Raniele e Renata (Ismênia e Antígona), Rodrigo (Sacerdote) aos demais alunos na turma que foram do apoio abrindo as cortina (Renato) e ajudando na organização das cadeiras. Realmente foi um sucesso e provou que quando uma turma quer, podem fazer o melhor!


Vem aí - Os Lusíadas - de Luís Vaz de Camões!



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ACORDO DE UNIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

































No dia 10 de agosto, os alunos do 3º ano do Ensino Médio, turmas A/B que estão estudando o Acordo de Unificação da Língua Portuguesa, participaram de um debate com a finalidade de analisar os aspectos positivos e negativos da unificação.


Foram feitas pesquisas e cada aluno desenvolveu um argumento que foi defendido no debate, os alunos tiveram oportunidade de fazer réplicas e tréplicas, em alguns momentos o debate foi intenso pois cada grupo queria defender seu ponto de vista.


Após a realização do debate os alunos fizeram uma avaliação e produziram um artigo de opinião, onde o melhor texto de cada sala será publicado aqui no nosso blog.


Parabéns para os alunos do 3ºano do Ensino Médio.

APRESENTAÇÃO DO LIVRO NOITE NA TAVERNA







Os alunos do 2º ano do Ensino Médio, turmas A e B, apresentaram a encenação da obra Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo. A narrativa é composta de sete quadros com os títulos "Uma noite do século", "Solfieri", Bertram", "Gennaro", "Claudius Hermann" "Johann" e "Último beijo de amor". Os jovens estão numa taverna (espécie de bar/boate onde se reuniam os boêmios da época) e começam a contar suas histórias, trágicas e cheias de vícios, crimes tais como: incestos, infanticídios, fratecídios, assassinatos, canibalismo, as narrações são tão chocantes que o leitor é levado a duvidar da veracidade de tantas situações pervertidas e sombrias. O autor para dar verossimilhança à obra no último quadro traz uma personagem do conto Johann que vem vingar-se de sua vergonha, assassinado dentro da taverna a sangue frio seu irmão e morrendo nos braços do seu amado Arthur.
Os alunos selecionaram algumas histórias e fizeram a dramatização que ficou bem a
mbientada e criativa, dando vida a leitura que foi feita em sala de aula.